Congelamento de Óvulos: Quando Fazer, Como Funciona e Quanto Custa

12th of April, 2026

Congelamento de Óvulos: Quando Fazer, Como Funciona e Quanto Custa

Adiar a maternidade é uma escolha cada vez mais comum — e cada vez mais planejada. O congelamento de óvulos, tecnicamente chamado de criopreservação de gametas femininos, se tornou uma das ferramentas mais buscadas por mulheres que querem preservar sua fertilidade sem abrir mão das escolhas do presente.

Mas quando faz sentido considerar esse procedimento? Como ele funciona na prática? E qual é o custo real no Brasil em 2026? Este artigo responde a essas três perguntas com clareza, para que você chegue à consulta médica com as perguntas certas na ponta da língua.

Em 2026, os laboratórios de reprodução assistida alcançam taxas de sobrevivência dos óvulos após o descongelamento acima de 85% a 95% com a técnica de vitrificação — um avanço que transformou o procedimento em uma estratégia reprodutiva concreta e confiável.

O Que é o Congelamento de Óvulos?

O congelamento de óvulos é um procedimento em que os óvulos da mulher são coletados, avaliados e armazenados em temperaturas extremamente baixas — a -196°C, em tanques de nitrogênio líquido — por tempo indeterminado, sem perda significativa de qualidade.

A técnica usada atualmente é a vitrificação: um processo ultrarrápido de resfriamento que impede a formação de cristais de gelo dentro das células, preservando a estrutura dos óvulos. Diferentemente dos embriões, os óvulos congelados não têm o DNA do parceiro combinado, o que garante total autonomia à mulher sobre o uso futuro.

Quando a mulher decidir engravidar, os óvulos são descongelados, fertilizados em laboratório por meio da técnica ICSI e os embriões formados são transferidos para o útero — seguindo o mesmo protocolo da FIV convencional.

Quando Fazer o Congelamento de Óvulos?

Essa é, provavelmente, a pergunta mais importante de todo o processo — e a resposta envolve tanto fatores clínicos quanto pessoais.

Melhor Faixa Etária: Antes dos 35 Anos

A qualidade e a quantidade dos óvulos diminuem com a idade. A recomendação médica é realizar o congelamento antes dos 35 anos, quando os óvulos ainda têm maior qualidade e a resposta à estimulação ovariana tende a ser mais eficiente. Quanto mais jovem, mais óvulos maduros são coletados por ciclo — e maior é a chance de sucesso no futuro.

Para ter uma referência: ao nascer, a mulher tem cerca de 7 milhões de óvulos. Na primeira menstruação, esse número já caiu para 500 mil. Aos 42 anos, restam menos de 25 mil. E não se trata apenas de quantidade: com o tempo, aumenta a taxa de alterações cromossômicas nos óvulos, o que reduz as chances de gravidez e eleva o risco de aborto.

Isso não significa que o procedimento não faça sentido após os 35 anos — faz, e muito. Mas a partir daí, pode ser necessário mais de um ciclo de coleta para atingir um número adequado de óvulos com boa qualidade.

Indicações Médicas (Congelamento Oncológico)

O congelamento de óvulos é fortemente indicado — e em alguns casos coberto por planos de saúde ou pelo SUS — para mulheres que precisarão se submeter a tratamentos que possam comprometer a fertilidade, como:

       Quimioterapia ou radioterapia para tratamento de câncer

       Cirurgias ovarianas por cistos de endometriose ou outras condições benignas

       Tratamentos de doenças autoimunes que afetam a reserva ovariana

       Histórico familiar de menopausa precoce

Congelamento Social: Por Escolha Pessoal

O chamado "congelamento social" é feito por mulheres saudáveis que desejam adiar a maternidade por razões pessoais: carreira, ausência de parceiro, busca por estabilidade emocional ou financeira, ou simplesmente porque ainda não chegou o momento certo. Essa é hoje a indicação mais comum nas clínicas particulares brasileiras.

Vale mencionar: o procedimento também está indicado para mulheres trans antes de iniciarem terapia hormonal de afirmação de gênero, como parte de um planejamento reprodutivo mais amplo.

Como Funciona o Congelamento de Óvulos Passo a Passo

O processo envolve cinco etapas principais, que se estendem ao longo de aproximadamente duas a três semanas:

1. Avaliação Inicial

Antes de qualquer coisa, a médica especialista em reprodução humana avalia a reserva ovariana da paciente. Os principais exames são o AMH (hormônio antimülleriano) e a contagem de folículos antrais por ultrassom. Esses dados ajudam a estimar quantos óvulos podem ser coletados e a personalizar o protocolo de estimulação.

2. Estimulação Ovariana

Por 8 a 14 dias, a mulher aplica injeções subcutâneas de hormônios (FSH e LH) para estimular os ovários a produzirem múltiplos folículos — em vez do único óvulo natural do ciclo. Durante esse período, o desenvolvimento dos folículos é monitorado por ultrassonografias e exames de sangue frequentes.

3. Coleta dos Óvulos (Punção Folicular)

Quando os folículos atingem o tamanho ideal, é feita a punção folicular: um procedimento ambulatorial, com sedação leve, que dura cerca de 20 a 30 minutos. Por via transvaginal guiada por ultrassom, os óvulos são aspirados de cada folículo. A paciente costuma ter alta no mesmo dia.

4. Seleção e Vitrificação

No laboratório, os embriologistas selecionam os óvulos maduros entre os coletados e realizam a vitrificação em menos de 15 minutos. Os óvulos são tratados com crioprotetores e congelados de forma ultrarrápida, sendo então armazenados em tanques de nitrogênio líquido a -196°C.

5. Armazenamento e Uso Futuro

Os óvulos podem permanecer armazenados por tempo indeterminado, conforme as regulamentações do Conselho Federal de Medicina (CFM). Quando a mulher decidir utilizá-los, os óvulos são descongelados, fertilizados via ICSI e os embriões são transferidos para o útero em um ciclo de FIV.

Quantos Óvulos São Necessários?

Essa é uma pergunta que muitas mulheres não fazem — e deveriam. O número de óvulos necessários para ter uma probabilidade razoável de gravidez varia conforme a idade no momento do congelamento:

       Até 35 anos: em torno de 10 a 15 óvulos maduros costumam ser suficientes para uma boa chance de sucesso

       Entre 35 e 38 anos: pode ser necessário acumular 15 a 20 óvulos, eventualmente com mais de um ciclo

       Acima de 38 anos: a quantidade ideal aumenta e o número de ciclos pode ser maior

Esses são números orientativos — cada caso é único. O médico especialista é quem vai estimar, com base nos seus exames, quantos ciclos de coleta podem ser necessários para alcançar a meta de óvulos adequada ao seu perfil.

Quanto Custa o Congelamento de Óvulos no Brasil em 2026?

O custo do congelamento de óvulos no Brasil varia entre R$ 15.000 e R$ 30.000 por ciclo completo, podendo ultrapassar esse valor em casos que demandam maior dose de medicamentos ou múltiplos ciclos de coleta. A tabela abaixo apresenta os principais componentes do custo:

Item

Mínimo

Máximo

Consultas e exames iniciais (reserva ovariana, AMH, ultrassom)

R$ 800

R$ 2.500

Medicamentos de estimulação ovariana

R$ 5.000

R$ 12.000

Procedimento: monitoramento, punção e vitrificação

R$ 10.000

R$ 20.000

Armazenamento anual (manutenção em nitrogênio líquido)

R$ 800

R$ 2.000

TOTAL estimado (ciclo completo, sem armazenamento)

R$ 15.000

R$ 30.000+

Fontes: Fertilidade.org, Clínica Embrionare, CNN Brasil, MaterPrime (2025). Valores estimativos — confirme sempre com a clínica escolhida.

O Que Está Incluso no Preço?

A maioria dos pacotes de congelamento de óvulos inclui:

       Consultas médicas e monitoramento por ultrassom durante a estimulação

       Exames de sangue de acompanhamento

       Procedimento de punção folicular com sedação

       Taxa de laboratório e vitrificação

O que geralmente NÃO está incluso: medicamentos de estimulação, armazenamento anual após o primeiro período, e os custos futuros da FIV quando os óvulos forem utilizados (que podem adicionar de R$ 10.000 a R$ 15.000 ao investimento total).

Plano de Saúde Cobre o Congelamento de Óvulos?

Em geral, não — os planos de saúde não cobrem o congelamento eletivo (social). No entanto, há casos em que a cobertura pode ser exigida judicialmente:

       Pacientes oncológicas antes de iniciar quimio ou radioterapia

       Mulheres com endometriose grave, quando há risco documentado à fertilidade

O SUS oferece o procedimento para pacientes oncológicas em algumas unidades públicas credenciadas, mas o acesso ainda é limitado. Verifique as condições específicas do seu plano e, em casos com indicação médica, consulte um advogado especializado em direito de saúde.

Como Escolher a Clínica Certa?

Preço não deve ser o único critério. Alguns pontos essenciais ao comparar clínicas:

       Taxa de sobrevivência dos óvulos após descongelamento: pergunte os números por faixa etária

       Volume de ciclos de vitrificação por ano: maior experiência tende a gerar processos mais maduros

       Protocolo personalizado: evite clínicas que ofereçam tratamentos genéricos

       Transparência de custos: orçamento detalhado, sem itens ocultos

       Suporte durante a estimulação: acesso ao médico e equipe durante o monitoramento

Perguntas Frequentes Sobre o Congelamento de Óvulos

Por quanto tempo os óvulos podem ficar congelados?

Por tempo indeterminado, conforme as normas do CFM. A vitrificação mantém a integridade dos óvulos de forma estável enquanto o armazenamento em nitrogênio líquido for devidamente mantido.

O congelamento de óvulos garante gravidez no futuro?

Não. O procedimento preserva a possibilidade — não a certeza. A chance de gravidez depende da qualidade e quantidade dos óvulos coletados, da idade no momento da coleta e do protocolo de FIV utilizado no futuro. Uma mulher que congelou óvulos antes dos 35 anos e conseguiu três blastocistos tem chances acima de 80%; após os 40 anos, com o mesmo número de blastocistos, as chances caem para cerca de 45%.

O procedimento dói?

A estimulação ovariana pode causar desconforto abdominal e sensação de inchaço, especialmente nos últimos dias antes da punção. A coleta dos óvulos é feita com sedação leve, portanto a paciente não sente dor durante o procedimento. O retorno às atividades normais ocorre geralmente no dia seguinte.

Existe risco de hiperestimulação ovariana?

Sim, é uma complicação possível — mas que, com os protocolos personalizados atuais, se tornou muito menos frequente e, quando ocorre, costuma ser leve. Em 2025, o uso de dados clínicos e algoritmos individualizados para ajuste de dosagem reduziu significativamente a incidência de síndrome de hiperestimulação ovariana (SHO) grave.

Vale a Pena Congelar os Óvulos?

O congelamento de óvulos é uma ferramenta poderosa de planejamento reprodutivo — mas não uma promessa vazia. Vale a pena quando há clareza sobre os objetivos, o momento certo para agir e uma avaliação médica que confirme boa resposta esperada.

Se você está considerando a preservação da fertilidade, o primeiro passo prático é avaliar sua reserva ovariana: um exame de AMH e ultrassom com contagem de folículos antrais já fornece informações suficientes para uma conversa embasada com seu médico especialista.

Quanto antes essa conversa acontecer, mais opções estarão disponíveis. E opções, nesse caso, significam liberdade.

Quer saber se o congelamento de óvulos é indicado para o seu caso? Agende uma consulta com nossa equipe de reprodução humana e receba uma avaliação personalizada da sua reserva ovariana.

Nota: Os valores apresentados são estimativas baseadas em fontes de mercado atualizadas em 2026. Preços variam conforme clínica, cidade e perfil clínico individual. Confirme sempre os valores com a instituição escolhida antes de iniciar o tratamento.