Fertilidade em dados: o que os números de 2025 mostram sobre a reprodução assistida no Brasil

21st of October, 2026

Em 2024, o Brasil registrou pouco mais de 2,38 milhões de nascimentos, a maior queda anual em duas décadas. No mesmo período, a procura por fertilização in vitro e por congelamento de óvulos não parou de subir. Os dois dados parecem contraditórios, mas contam a mesma história: as brasileiras estão tendo filhos mais tarde e cada vez mais planejam a gestação com ajuda da medicina.

Foi para acompanhar esse movimento de perto que a Originare criou o Originare Insights, uma editoria dedicada a dados, ciência e bastidores da reprodução assistida. O primeiro produto dela é o relatório Fertilidade em Dados 2025, que cruza números nacionais com o perfil de quem procurou a clínica ao longo do ano. Abaixo estão os principais achados.

O que é o Originare Insights

O Originare Insights reúne o que normalmente fica dentro do consultório e do laboratório: estatísticas, estudos recentes, protocolos e a rotina das equipes. A proposta é simples. Quem está pensando em ter filhos, agora ou daqui a alguns anos, decide melhor quando entende o contexto, e o contexto aparece nos números.

A editoria tem três frentes:

•        o relatório anual Fertilidade em Dados, com indicadores nacionais e da clínica;

•        posts semanais no Instagram @clinica.originare, sempre às quintas-feiras, com um dado ou estudo explicado em linguagem direta;

•        conteúdos no blog, como este, que aprofundam os temas do relatório.

Menos bebês, mães mais velhas

Os dados do IBGE sobre registro civil mostram uma mudança que vem de longe. Os nascimentos caíram 5,8% de 2023 para 2024, o sexto recuo seguido. A queda foi a maior dos últimos 20 anos.

A idade das mães também mudou. Pelo Censo, a idade média das mulheres ao ter filhos passou de 26 anos em 2000 para 28 anos em 2022. Dois anos parecem pouco, mas a média esconde o que acontece nas pontas. Em 2004, mais da metade dos bebês (51,7%) nascia de mulheres com até 24 anos. Em 2024, essa fatia ficou em 34,6%. No estado de São Paulo, 44,5% dos nascimentos já são de mães com 30 anos ou mais.

Ter filhos depois dos 30 é uma escolha legítima e cada vez mais comum. O ponto de atenção é biológico: a quantidade e a qualidade dos óvulos diminuem com a idade, e a queda se acelera a partir dos 35. É aí que a reprodução assistida entra no planejamento de muitas famílias.

Fertilização in vitro cresceu mais de 50% em cinco anos

O Sistema Nacional de Produção de Embriões (SisEmbrio), mantido pela Anvisa, registrou 62.997 ciclos de fertilização in vitro em 2025. Em 2020 foram 41.586. A alta, de 51,5%, inclui casais com dificuldade para engravidar, mulheres que buscam a maternidade sozinhas, casais de mulheres e pacientes que fazem teste genético nos embriões antes da transferência.

O congelamento de óvulos mais que dobrou

O crescimento mais forte apareceu no congelamento de óvulos. Os ciclos de coleta para criopreservação passaram de 7.872 em 2020 para 18.631 em 2025, um aumento de 136,7%.

E o perfil de quem congela está ficando mais jovem. Entre mulheres com menos de 35 anos, os ciclos subiram de 2.193 para 6.142 no período, alta de 180,1%. As pacientes acima dos 35 ainda são cerca de dois terços do total, mas a diferença diminui a cada ano.

A explicação provável é informação. Mais mulheres sabem hoje que os óvulos congelados mantêm a idade da coleta, e que congelar antes dos 35 costuma render mais óvulos por ciclo. Isso não garante uma gestação futura, mas amplia as opções. Para entender o procedimento em detalhe, veja nosso guia sobre congelamento de óvulos.

O que os dados da Originare mostram

A segunda parte do relatório olha para dentro da clínica. Em 2025, a Originare fez 1.687 primeiras consultas, com 1.677 pacientes diferentes.

Como os dados foram levantados

Os números internos vêm da base de atendimentos de 2025, revisada pela equipe antes da análise. O recorte é a primeira consulta, ou seja, o momento em que a paciente procura a clínica pela primeira vez. Isso inclui consultas de reprodução assistida (presenciais e por telemedicina), consultas de doadoras de óvulos e consultas ginecológicas.

O recorte tem um limite que vale deixar claro: ele mostra quem procura a clínica, não quem fez cada tratamento. Os indicadores de laboratório, como taxas de fertilização e de formação de embriões, são medidos de outra forma e aparecem separados no relatório completo, para que os dois tipos de informação não se misturem.

A procura ao longo do ano

A procura cresceu de forma quase contínua ao longo de 2025. Janeiro teve 113 primeiras consultas. Julho, o mês mais movimentado, teve 176. Dezembro teve 89, o menor volume do ano, o que se explica pelas festas e férias.

Para a paciente, a sazonalidade importa menos do que o planejamento. Quem quer começar o tratamento no início do ano seguinte pode usar o segundo semestre para a primeira consulta e os exames de avaliação, que levam algumas semanas para ficar prontos.

Idade: a maioria tem 35 anos ou mais

A idade média das pacientes na primeira consulta foi de 36,6 anos. A distribuição ficou assim:

•        até 34 anos: 33%;

•        de 35 a 39 anos: 38%;

•        de 40 a 44 anos: 22%;

•        45 anos ou mais: 7%.

Somadas, as faixas a partir dos 35 chegam a 67% das pacientes. O número acompanha a tendência nacional do SisEmbrio e tem uma consequência prática: boa parte das mulheres chega à clínica numa fase em que o tempo pesa. Por isso a primeira avaliação costuma começar pela reserva ovariana, que mostra o ponto de partida de cada paciente.

Telemedicina e pacientes de fora de São Paulo

Das primeiras consultas, 38% foram feitas por telemedicina. Esse formato explica parte do alcance geográfico: 74% das pacientes eram do estado de São Paulo, 4% de Minas Gerais, 4% de outros países e 18% de outros estados, entre eles Espírito Santo, Rio de Janeiro, Santa Catarina, Paraná, Bahia, Pernambuco e Amazonas. No total, a clínica recebeu pacientes de pelo menos 15 estados.

A consulta a distância resolve a primeira etapa, a da conversa, da revisão de exames e do plano. Procedimentos como a coleta de óvulos e a transferência de embriões continuam presenciais.

Como as pacientes chegam

A pergunta "como você conheceu a Originare?" teve esta resposta:

•        indicação de outra paciente: 45,5%;

•        indicação de médico: 39,7%;

•        redes sociais e buscadores: 14,8%.

Quase metade das pacientes chegou por recomendação de alguém que já tinha passado pelo tratamento. Em medicina reprodutiva, em que a decisão costuma ser longa e íntima, a conversa com quem já viveu o processo ainda pesa mais do que qualquer anúncio.

Doação de óvulos: 12% das primeiras consultas

Um dado menos conhecido: 195 primeiras consultas, ou 12% do total, foram de mulheres interessadas em doar óvulos. A doação no Brasil é anônima e não pode ter caráter comercial, segundo a Resolução CFM nº 2.320/2022. Ela é a única saída para muitas mulheres que não têm mais óvulos viáveis.

Esse volume tem relação com o programa Preserva + Doa, em que a mulher congela parte dos óvulos para si e doa a outra parte de forma anônima e compartilhada. Para saber como funciona, consulte a equipe da clínica.

O que esses números significam para quem está planejando

Relatórios de dados só fazem sentido se ajudam alguém a decidir melhor. Três leituras saem do Fertilidade em Dados 2025.

A primeira é sobre tempo. Se a maior parte das pacientes chega depois dos 35, a avaliação precoce faz diferença. Uma consulta aos 32 anos, mesmo sem planos imediatos, mostra a reserva ovariana e abre opções como o congelamento. Aos 40, algumas dessas opções ficam mais limitadas.

A segunda é sobre distância. Morar longe de um grande centro já não impede a primeira consulta com um especialista. A telemedicina adianta a conversa, organiza os exames e deixa para as viagens só as etapas que exigem presença.

A terceira é sobre informação. A alta no congelamento entre mulheres com menos de 35 anos indica que conhecer o próprio corpo mais cedo muda as escolhas. É esse tipo de conhecimento que o Originare Insights pretende levar para fora da clínica, uma vez por semana.

O que vem a seguir na editoria

O relatório é o ponto de partida. Nas próximas semanas, os posts do Originare Insights vão abrir recortes que não cabem em um único documento.

Um deles é o perfil das mulheres que procuram a clínica para ser mães sozinhas, com sêmen de doador: idade, caminho escolhido e o que pesa na decisão. Outro é a doação de óvulos, do ponto de vista de quem doa e de quem recebe. Também entram os bastidores do laboratório de embriologia, onde ficam os embriões e óvulos congelados, e os estudos apresentados nos principais congressos de reprodução humana, explicados sem jargão.

A editoria também vai acompanhar os próximos relatórios públicos. Quando a Anvisa divulgar os números consolidados do SisEmbrio ou o IBGE publicar as estatísticas de registro civil de 2025, os dados entram aqui com a leitura da equipe médica. Se você tem uma pergunta que gostaria de ver respondida com dados, mande pelo direct do Instagram. Algumas das próximas pautas vão sair dessas mensagens.

Perguntas frequentes

O que é o relatório Fertilidade em Dados?

É o relatório anual do Originare Insights. A edição de 2025 reúne dados nacionais do IBGE e da Anvisa (SisEmbrio) com os números de atendimento da Originare no ano.

Quantos ciclos de fertilização in vitro foram feitos no Brasil em 2025?

Segundo o SisEmbrio, da Anvisa, foram 62.997 ciclos, 51,5% a mais do que em 2020.

O congelamento de óvulos está crescendo no Brasil?

Sim. Os ciclos de congelamento passaram de 7.872 em 2020 para 18.631 em 2025. Entre mulheres com menos de 35 anos, a alta foi de 180,1%.

Qual a idade média das pacientes que procuram a reprodução assistida?

Na Originare, a idade média na primeira consulta em 2025 foi de 36,6 anos, e 67% das pacientes tinham 35 anos ou mais.

Posso fazer a primeira consulta de fertilidade por telemedicina?

Pode. Em 2025, 38% das primeiras consultas da Originare foram a distância. Exames e procedimentos são feitos presencialmente.

Acompanhe o Originare Insights

O relatório completo Fertilidade em Dados 2025 está disponível para download aqui. Toda quinta-feira, um novo dado ou estudo sai no Instagram @clinica.originare.

Se você quer entender em que ponto está a sua fertilidade, agende uma consulta com um especialista da Originare, presencial ou por telemedicina.

Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação médica individual. Diretor técnico-médico: Dr. Luiz F. Henrique, CRM-SP 120.314, RQE 575861.